...

Só o apaixonado por você tem a sagacidade de notar em você o que ninguém
Notou, fazendo enfim o elogio que nenhum professor lhe fez, a gentileza
que nenhum cavalheiro lhe fez, a gracinha que nenhum canalha lhe fez.
A paixão alerta sua razão que, ora, você é amado, e amado tanto assim.
Então sou o homem mais sortudo do mundo. Porque essa menina rara, de pele
tão branca e sardenta, ama-me careca. Um sentimento desses, está claro,
pode mudar todas as pedras de ligar.
Por isso tem tanta gente que não ama, nem é amado. São os que não
agüentam levantar a tampa que os protege do incerto, e mudar.
Portanto, quem é que não ama não se apaixona, não odeia? Os covardes?
Com certeza. Os covardes, entretanto, sábios.
Naquele conceito de sabedoria que mata você de velho.
E morrer de velho, convenhamos, é a coisa mais humilhante do mundo."

Fernanda Young

=]

"Hoje eu acordei numa casa diferente, num quarto diferente,
sem nenhuma muleta, sem nenhuma maquiagem, meus amigos estão ocupados,
meus pais não podem sofrer por mim.
Hoje eu acordei sem nada no estômago, sem nada no coração, sem
ter para onde correr, sem colo, sem peito, sem ter onde encostar,
sem ter quem culpar. Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu
olhei no espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa
que pode realmente me fazer feliz"

Tati Bernardi

eu

" Sou cheia de manias. Tenho carências insolúveis. Sou teimosa.
Hipocondríaca. Raivosa, quando sinto-me atacada. Não como cebola.
Só ando no banco da frente dos carros. Mas não imponho a minha pessoa
a ninguém. Não imploro afeto. Não sou indiscreta nas minhas relações.
Tenho poucos amigos, porque acho mais inteligente ser seletivo a respeito
daqueles que você escolhe para contar os seus segredos. Então,
se sou chata, não incomodo ninguém que não queira ser incomodado.
Chateio só aqueles que não me acham uma chata, por isso me querem ao
seu lado. Acho sim, que, às vezes, dou trabalho.

Mas é como ter um Rolls Royce: se você não quiser ter que pagar o
preço da manutenção, mude para um Passat. "

(Fernanda Young - Ora Blogs! GNT 20.09.04)

..."

"Perdão, eu te peço à distância, pela indigência das palavras
essas, que eu não falo e levo em mim e pouso sobre as tuas pálpebras
cada vez que recostas a cabeça e fechas os olhos sem que saibas que
eu te olho.
Dizem coisas, essas palavras mudas, dizem teu nome entre
meus lábios, adivinham tua respiração próxima ao meu rosto e o cheiro
dos teus cabelos quando amanhece o dia. Falam das minhas mãos e dos
teus rumos, essas palavras não-ditas, que perdem-se uns nos outros
e do gosto que suspeito ter a tua língua pelo meu pescoço. Perdão,
eu te peço à distância, e torço para que me surpreendas no verde
amarelado da íris, instantes antes de eu deitar novamente incógnito
meus segredos sobre teus olhos."

Patricia Antoniete

Votos de Submissão

Caso você queira posso passar seu terno,
aquele que você não usa por estar amarrotado.
Costuro as suas meias para o longo inverno...
Use capa de chuva, não quero ter você molhado.
Se de noite fizer aquele tão esperado frio
poderei cobrir-lhe com o meu corpo inteiro.
E verás como a minha pele de algodão macio,
agora quente, será fresca quando for janeiro.

Nos meses de outono eu varro sua varanda,
para deitarmos debaixo de todos os planetas.
O meu cheiro te acolherá com toques de lavanda
- Em mim há outras mulheres e algumas ninfetas
-Depois plantarei para ti margaridas da primavera
e aí no meu corpo somente você e leves vestidos,
para serem tirados pelo seu total desejo de quimera.
- Os meus desejos, irei ver nos seus olhos refletidos.

- Mas quando for a hora de me calar e ir embora
sei que, sofrendo, deixarei você longe de mim.
Não me envergonharia de pedir ao seu amor esmola,
mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim.

(Nem vou deixar – mesmo querendo – nenhuma fotografia.
Só o frio, os planetas, as ninfetas e toda minha poesia.)

eu...


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Prezo pela simplicidade das linhas
Pela verdade do verbo
Pela luminosidade dos dias
Pela grandiosidade do amor...

Prezo pela doçura da moça
Pela emoção vivida
Pelo desejo incontido
Pelo grito clamando liberdade

Prezo pela instabilidade
Pela loucura infinita
Pelo perfume barato
Pelo verso feijão com arroz

Prezo pela mais absoluta simplicidade
Busco a implosão de regras absurdas
A humanização das palavras
Quero sentimento pulsando no verso

Prezo por cada um de vocês
Que veêm a vida pelo lado colorido
Sol, flores, pássaros, delírios...
Prezo por uma raça em extinção.

Desesperança


Não espero nenhum olhar, não espero nenhum gesto,
não espero nenhuma cantiga de ninar. Por isso estou vivo.
Pela minha absoluta desesperança, meu coração bate ainda mais forte.
Quando não se tem mais nada a perder, só se tem a ganhar.

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