"Perdão, eu te peço à distância, pela indigência das palavras
essas, que eu não falo e levo em mim e pouso sobre as tuas pálpebras
cada vez que recostas a cabeça e fechas os olhos sem que saibas que
eu te olho.
Dizem coisas, essas palavras mudas, dizem teu nome entre
meus lábios, adivinham tua respiração próxima ao meu rosto e o cheiro
dos teus cabelos quando amanhece o dia. Falam das minhas mãos e dos
teus rumos, essas palavras não-ditas, que perdem-se uns nos outros
e do gosto que suspeito ter a tua língua pelo meu pescoço. Perdão,
eu te peço à distância, e torço para que me surpreendas no verde
amarelado da íris, instantes antes de eu deitar novamente incógnito
meus segredos sobre teus olhos."
Patricia Antoniete
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